CRONICAS

Abaixo crônicas que escolhi para você, para mim, enfim para todos.

Seja bem vindos.

 

                                             A ARTE DE SER AVÓ

 

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

 

 

 

 

                                   DECLARAÇÃO DE MALES

 

             Paulo Mendes Campos    (este foi o ultimo texto do autor)

 

Ilmo. Sr. Diretor do Imposto de Renda.

Antes de tudo devo declarar que já estou, parceladamente, à venda.
Não sou rico nem pobre, como o Brasil, que também precisa de boa parte do meu dinheirinho.
Pago imposto de renda na fonte e no pelourinho.
Marchei em colégio interno durante seis anos mas nunca cheguei ao fim de nada, a não ser dos meus enganos.
Fui caixeiro. Fui redator. Fui bibliotecário.
Fui roteirista e vilão de cinema. Fui pegador de operário.
Já estive, sem diagnóstico, bem doente.
Fui acabando confuso e autocomplacente.
Deixei o futebol por causa do joelho.
Viver foi virando dever e entrei aos poucos no vermelho.
No Rio, que eu amava, o saldo devedor já há algum tempo que supera o saldo do meu amor.
Não posso beber tanto quanto mereço, pela fadiga do fígado e a contusão do preço.
Sou órfão de mãe excelente.
Outras doces amigas morreram de repente.
Não sei cantar. Não sei dançar.
A morte há de me dar o que fazer até chegar.
Uma vez quis viver em Paris até o fim, mas não sei grego nem latim.
Acho que devia ter estudado anatomia patológica ou pelo menos anatomia filológica.
Escrevo aos trancos e sem querer e há contudo orgulhos humilhantes no meu ser.
Será do avesso dos meus traços que faço o meu retrato?
Sou um insensato a buscar o concreto no abstrato.
Minha cosmovisão é míope, baça, impura, mas nada odiei, a não ser a injustiça e a impostura.
Não bebi os vinhos crespos que desejara, não me deitei sobre os sossegos verdes que acalentara.
Sou um narciso malcontente da minha imagem e jamais deixei de saber que vou de torna-viagem.
Não acredito nos relógios... the pule cast of throught... sou o que não sou (all that I am I am not).
Podia ter sido talvez um bom corredor de distância: correr até morrer era a euforia da minha infância.
O medo do inferno torceu as raízes gregas do meu psiquismo e só vi que as mãos prolongam a cabeça quando me perdera no egotismo.
Não creio contudo em myself.
Nem creio mais que possa revelar-me em other self.
Não soube buscar (em que céu?) o peso leve dos anjos e da divina medida.
Sou o próprio síndico de minha massa falida.
Não amei com suficiência o espaço e a cor.
Comi muita terra antes de abrir-me à flor.
Gosto dos peixes da Noruega, do caviar russo, das uvas de outra terra; meus amores pela minha são legião, mas vivem em guerra.
Fatigante é o ofício para quem oscila entre ferir e remir.
A onça montou em mim sem dizer aonde queria ir.
A burocracia e o barulho do mercado me exasperam num instante.
Decerto sou crucificado por ter amado mal meu semelhante.
Algum deus em mim persiste
mas não soube decidir entre a lua que vemos e a lua que existe.
Lobisomem, sou arrogante às sextas-feiras, menos quando é lua cheia.
Persistirá talvez também, ao rumor da tormenta, algum canto da sereia.
Deixei de subir ao que me faz falta, mas não por virtude: meu ouvido é fino e dói à menor mudança de altitude.
Não sei muito dos modernos e tenho receios da caverna de Platão: vivo num mundo de mentiras captadas pela minha televisão.
Jamais compreendi os estatutos da mente.
O mundo não é divertido, afortunadamente.
E mesmo o desengano talvez seja um engano.


Texto extraído do livro "O amor acaba", Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1999, pág. 259, organização de Flávio Pinheiro.

 

                                  RECEITA DE DOMINGO

 

                                                  Paulo Mendes Campos

 

Ter na véspera o cuidado de escancarar a janela. Despertar com a primeira luz cantando e ver dentro da moldura da janela a mocidade do universo, límpido incêndio a debruar de vermelho quase frio as nuvens espessas. A brisa alta, que se levanta, agitar docemente as grinaldas das janelas fronteiras. Uma gaivota madrugadora cruzar o retângulo. Um galo desenhar na hora a parábola de seu canto. Então, dormir de novo, devagar, como se dessa vez fosse para retornar à terra só ao som da trombeta do arcanjo.

Café e jornais devem estar à nossa espera no momento preciso no qual violentamos a ausência do sono e voltamos à tona. Esse milagre doméstico tem de ser. Da área subir uma dissonância festiva de instrumentos de percussão — caçarolas, panelas, frigideiras, cristais anunciando que a química e a ternura do almoço mais farto e saboroso não foram esquecidas. Jorre a água do tanque e, perto deste, a galinha que vai entrar na faca saia de seu mutismo e cacareje como em domingos de antigamente. Também o canário belga do vizinho descobrir deslumbrado que faz domingo.

Enquanto tomamos café, lembrar que é dia de um grande jogo de futebol. Vestir um short, zanzar pela casa, lutar no chão com o caçula, receber dele um soco que nos deixe doloridos e orgulhosos. A mulher precisa dizer, fingindo-se muito zangada, que
estamos a fazer uma bagunça terrível e somos mais crianças do que as crianças.

Só depois de chatear suficientemente a todos, sair em bando familiar em direção à praia, naturalmente com a barraca mais desbotada e desmilingüida de toda a redondeza.

Se a Aeronáutica não se dispuser esta manhã a divertir a infância com os seus mergulhos acrobáticos, torna-se indispensável a passagem de sócios da Hípica, em corcéis ainda mais kar do que os próprios cavaleiros.

Comprar para a meninada tudo que o médico e o regime doméstico desaconselham: sorvetes mil, uvas cristalizadas, pirulitos, algodão doce, refrigerantes, balões em forma de pingüim, macaquinhos de pano, papaventos. Fingir-se de distraído no momento em que o terrível caçula, armado, aproximar-se da barraca onde dorme o imenso alemão para desferir nas costas gordas do tedesco uma vigorosa paulada. A pedagogia recomenda não contrariar demais as crianças.

No instante em que a meninada já comece a "encher", a mulher deve resolver ir cuidar do almoço e deixar-nos sós. Notar, portanto, que as moças estão em flor, e o nosso envelhecimento não é uma regra geral. Depois, fechar os olhos, torrar no sol até que a pele adquira uma vida própria, esperar que os insetos da areia nos despertem do meio-sono.

A caminho de casa, é de bom alvitre encontrar, também de calção, um amigo motorizado, que a gente não via há muito tempo. Com ele ir às ostras na Barra da Tijuca, beber chope ou vinho branco.

O banho, o espaçado almoço, o sol transpassando o dia. Desistir à última hora de ver o futebol, pois o nosso time não está em jogo. Ir à casa de um amigo, recusar o uísque que este nos oferece, dizer bobagens, brigar com os filhos dele em várias partidas de pingue-pongue.

Novamente em casa, conversar com a família. Contar uma história meio macabra aos meninos. Enquanto estes são postos em sossego, abrir um livro. Sentir que a noite desceu e as luzes distantes melancolizam. Se a solidão assaltar-nos, subjugá-la; se o sentimento de insegurança chegar, usar o telefone; se for a saudade, abrigá-la com reservas; se for a poesia, possuí-la; se for o corvo arranhando o caixilho da janela, gritar-lhe alto e bom som: never more.

Noite pesada. À luz da lâmpada, viajamos. O livro precisa dizer-nos que o mundo está errado, que o mundo devia, mas não é composto de domingos. Então, como uma espada, surgir da nossa felicidade burguesa e particular uma dor viril e irritada, de lado a lado. Para que os dias da semana entrante não nos repartam em uma existência de egoísmos.


Texto extraído do livro "O Cego de Ipanema", Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 41.

 

                                          PORQUE VIOLÊNCIA?

                                                     Por  Danielle Williams

 

O mundo está só, os habitantes do mundo estão sós. Cada um na sua, curtindo o seu estado violência. Quando deveríamos nos orgulhar, sentimos inveja. O que muitas vezes leva uma pessoa a roubar o que o outro conseguiu com muito trabalho e esforço. Onde deveria existir Amor, existe Ódio. Onde deveria haver compaixão, há indiferença. Deveríamos perdoar ao invés de sentir rancor. Esta contrariedade nos isola do mundo, nos causa solidão, nos torna fracos, nos tira o poder e, principalmente, a vontade de reagir. O violento faz mais uma vítima, antes solidária, agora, também solitária em seu estado violência. Estamos presos em nós mesmos. Os maus sentimentos não nos permitem viver em harmonia. Qualquer olhar passa a ser motivo de agressões. Temos receio de nos cumprimentarmos, o que deveria ser obrigação da nossa parte. Sabemos o que falta, mas não sabemos o porque falta. Falta Amor. Devemos Amar em Eros, Philos e Ágape. Ágape é o amor que devora quem o experimenta, é o mais bonito de todos os sentimentos. Incomparável é a sua beleza. Philos é o amor em forma de amizade, aquele que sentimos por nossos irmãos, pais, tios, etc... e que deveríamos sentir por todos ao nosso redor, até mesmo por nossos inimigos. Eros é o amor entre o homem e a mulher, indispensável na vida de todos nós. Enfim, para que possamos dar fim a esta fase em que se encontra a humanidade, precisamos nos conscientizar de que é preciso amar, de todas as maneiras e com toda nossa força, todas as coisas do universo.

 

 

 

                                                 VOCE APRENDE

Depois de um tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança e começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas. E começa aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto...

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo, você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-lo por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la. Que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que os bons amigos são a família que nos permite escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa - por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter responsabilidade; sempre existe os dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se elas acreditassem nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver isso.

Aprende com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

William Shakespeare

 

                                        AS DOZE CRIANÇAS

                                                          (autor desconhecido)

 

"...E naquela manhã Deus compareceu ante suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, cada criança deu um passo à frente para receber
o Dom e a função que lhe cabia."

 

Para ti, ÁRIES, dou a primeira semente para que tenhas a honra de plantá-la. Para que cada semente que plantares, mais outro milhão de sementes se multiplicará em tuas mãos. Não terás tempo de ver a semente crescer pois tudo o que plantares criará cada vez mais e mais para ser plantado. Tu serás o primeiro a plantar o solo da mente humana levando a Minha Idéia. Mas não cabe a ti alimentar e cuidar dessa Idéia, nem questioná-la. Tua vida é ação, e a única ação que te atribuo é a de dar o passo inicial para tornar os homens conscientes da Criação. Por este trabalho Eu te concedo a virtude do Respeito por si mesmo.

TOURO, a ti eu dou o poder de transformar a semente em substância grande, e isso requer paciência; pois tens que terminar tudo o que foi começado, para que as sementes não sejam desperdiçadas pelo vento. Não deves assim questionar, para a execução do que te peço. Para isso Eu
te concedo o Dom da Força. Trata de usá-la sabiamente.

A ti, GÊMEOS, Eu dou as perguntas sem respostas, para que possas levar a todos um entendimento daquilo que o homem vê ao seu redor. Tu nunca saberás por que os homens falam ou escutam, mas em tua busca pela resposta encontrarás o Meu Dom reservado a ti: O Conhecimento.

A ti, CÂNCER, atribuo a tarefa de ensinar aos homens a emoção. Minha idéia é que provoques neles risos e lágrimas, de modo que tudo o que eles vejam sintam e desenvolvam uma plenitude em seu interior.
Para isso, Eu te dou o Dom da Família, para que sua plenitude possa me multiplicar.

Para ti, LEÃO, dou o dom de mostrar Minha Criação para o mundo em todo o seu esplendor. Mas tu precisas tomar cuidado com o orgulho e sempre te lembrares de que és Minha Criação, não tua. Pois se tu te esqueceres disto, os homens irão desprezá-lo. Há muita alegria no que eu dou, se ele for bem feito. Para isso terás a Dádiva da Honra.

A ti, VIRGEM, peço que empreendas um exame de tudo o que os homens fizeram com Minha Criação. Terás que observar com perspicácia os caminhos que percorrem, e lembrá-los de seus erros, de modo que através de ti, minha Criação possa ser aperfeiçoada. Para que assim o faças, Eu te concedo o Dom da Pureza.

A ti, LIBRA, dou a missão de servir, para que o homem esteja ciente de seus deveres para com os outros, para que ele possa aprender a cooperação, assim como a habilidade de refletir no outro as suas ações. Hei de te levar onde quer que haja discórdia, e por teus esforços te concederei o Dom do Amor.

A ti, ESCORPIÃO, darei uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei permissão de falar o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês e em tua dor te voltarás contra Mim, esquecendo que não sou Eu, mas a perversão de Minha Idéia, o que te fez sofrer. Verás tanto do homem quanto do animal, e lutarás tanto com os instintos em ti mesmo, que perderás o teu caminho, mas, quando finalmente voltares, terei para ti o Dom Supremo da Fidelidade.

A ti, SAGITÁRIO, eu peço que faças os homens rirem,
pois entre as distorções da Minha Idéia eles se tornam amargos. Através do riso darás aos homens a esperança,
e por ela voltarás os olhos novamente para Mim. Chegarás a ter muitas vidas, ainda que só por um momento, e em
cada vida que atingires, conhecerás a inquietação. A ti, Sagitário, darei o Dom da Infinita Abundância, para que te possas expandir o bastante, até atingir cada recanto onde haja escuridão e levar aí a luz.

De ti, CAPRICÓRNIO, quero o suor de tua fronte, para que possas ensinar aos homens o trabalho. Não é fácil tua tarefa, pois sentirás todo o labor dos homens sobre teus ombros, mas pelo jugo de tua carga, te concedo o Dom da Responsabilidade.

A ti, AQUÁRIO, dou o conceito de futuro, para que através de ti, o homem possa ver outras possibilidades. Terás a dor da solidão, pois não te permito personalizar o Meu Amor. Para que possas voltar os olhares humanos em direção a novas possibilidades, Eu te concedo o Dom
da Liberdade, de modo que, livre, possas continuar a servir a humanidade onde quer que ela esteja.

E finalmente, a ti, PEIXES, dou a mais difícil de todas as tarefas. Peço-te que reúnas todas as tristezas dos homens e as tragas de volta para Mim. Tuas lágrimas serão, no fundo, Minhas lágrimas. A tristeza e o padecimento que terás de absorver são o efeito das distorções impostas pelo homem à Minha Idéia, mas cabe a ti levar até ele a compaixão, para que possa tentar de novo. Por esta tarefa eu te concedo o dom mais alto de todos: tu serás o único de Meus doze filhos que Me compreenderá. Mas este Dom de Entendimento é só para ti, Peixes, pois quando tentares
difundi-lo entre os homens, eles não te escutarão.

"Cada um de vós é perfeito, mas não compreendereis
isso até que vós doze sejais Um..."

 

 

                                         MUITO ALÉM..............

 

                                Lenine de Carvalho

 

Meu amigo chama-se Peter Hammer... É um cuteleiro, ou seja, fabrica facas, adagas, punhais, espadas, tudo artesanalmente. É um verdadeiro artista, vive pesquisando sobre a fabricação de armas brancas antigas, técnicas, procedimentos, etc...Precisava de um forno especial que desse l.200 graus centígrados de temperatura para poder elaborar a têmpera das lâminas, como não tinha dinheiro para comprá-lo, fabricou um com suas mãos em sua casa. Meu amigo Peter também é um filósofo, apesar da pouca idade, 30 e poucos anos. Somos amigos há vários anos e eu sou um admirador dele e de seu trabalho. Tempos atrás, fabricou um Kataná, uma espada samurai japonesa, de acordo com as técnicas e materiais usados há séculos atrás. Conseguiu enviar seu trabalho para o Japão, assombrando a todos os especialistas que lá examinaram sua espada, ganhou menções honrosas, prêmios e é o único homem no Brasil autorizado pelo governo japonês a afiar Katanás verdadeiros e históricos. Esse meu amigo comentou-me um dia que era espírita e fazia parte de um pequeno grupo de pessoas que dedicavam-se a estudar a nível científico a doutrina espírita e suas manifestações a nível material e cósmico... Sempre encarei esse tipo de coisa com muito respeito, mas nunca quis aprofundar-me no assunto por ter um certo receio de acabar me tornando refém de alguma maneira de uma doutrina ou filosofia que me convencesse ou arrebatasse... Medo enfim? Talvez... Uma noite, eu estava na oficina na casa de meu amigo, vendo-o trabalhar e conversando sobre armas quando ele com a maior naturalidade do mundo me disse que através de seus contatos com o mundo paralelo e espiritual ele havia recebido a incumbência de dar-me um recado.

- Recado de quem?

- Há entidades que querem transmitir uma mensagem para você.

- Que entidades?

- Seres espirituais, desencarnados, que pertencem a outra dimensão de espaço-tempo.

- E o que querem me dizer??

- Não tenho a mínima idéia, apenas me pediram para convidá-lo a comparecer a uma das reuniões do nosso grupo, agora compete a você decidir se quer ir ou não, de minha parte o recado está dado e o convite feito.

- Quando será a próxima reunião de vocês?

- Hoje à noite, daqui a uma hora, quer vir?

- Sim, quero. Vou.

Era uma pequena sala, uma mesa com uma toalha branca e uma fraca luz iluminando o ambiente. Uma senhora gorda, de certa idade, parecia presidir os trabalhos, ou sessão, ou estudos, ou o nome que tivesse aquilo. Havia ainda uma moça bastante jovem e mais dois senhores de meia idade. Percebi ou senti que da senhora gorda emanava uma espécie de paz, harmonia, tranqüilidade, calma interior que transmitia-se ao ambiente. Apresentações feitas, a senhora me explicou que eles comunicavam-se com os espíritos num nível muito alto, de vibrações muito elevadas, recebiam e transmitiam mensagens e que alguns espíritos desejavam transmitir algo para mim. Disse também, que uma vez estabelecido o contato, apenas eu receberia a mensagem e que eu poderia ficar à vontade para comentar ou não com eles o que me havia sido dito pelas entidades, caso eu necessitasse de alguma ajuda ou explicação para entender algo, eles estavam lá para ajudar, mas não tinham nenhuma curiosidade vulgar de saber o que ou qual tinha sido a mensagem. Isso me foi simpático. A senhora pediu então que nos déssemos as mãos e fechássemos os olhos. Eu estava me sentindo um tanto constrangido com a situação, mas, acho que além da curiosidade digamos, científica e filosófica sobre o assunto, queria também agradar ao meu amigo Peter, por isso tinha aceito o convite. Pediu-me então a senhora que eu tentasse visualizar uma grande tela completamente em branco, disse-me que isso era algo bastante difícil de se conseguir, pois as imagens do cotidiano iriam se projetar sobre a tela e eu deveria tentar afastá-las, deixando a tela em branco o maior tempo que pudesse. Realmente foi difícil no princípio, mas acabei conseguindo por não sei quanto tempo imaginar uma tela imensa, branca e completamente vazia... Então a sala desapareceu... as pessoas, tudo... Havia uma enorme planície amarela... milhares de guerreiros a cavalo, armados com lanças, espadas, arcos e flechas, pequenos machados, escudos, alguns de metal outros de couro curtido em várias camadas... Todos com feições orientais... como se fossem mongóis... Eu me vi então montado num cavalo e alguém que me parecia ser um dos chefes me pedia instruções num idioma completamente estranho mas que eu compreendia perfeitamente. Me dei conta então que eu estava no comando de todos aqueles guerreiros e que íamos combater não sei a quem nem porque nem onde, a 3 dias de viagem a cavalo... Distribuí ordens e instruções e cavalguei até uma estranha construção branca, que parecia uma espécie de templo... Em frente ao templo, a moça esguia, com longos cabelos negros, um rosto místico, os olhos oblíquos, vestida com uma túnica branca até os pés e um cinto amarelo que parecia ser de ouro... Desci do cavalo, abracei-a e disse-lhe que logo estaria de volta, que o problema seria resolvido rapidamente, pois nosso exército era muito poderoso e bem armado, dentro em breve eu estaria de volta para continuarmos a viver nosso amor que era tão belo... A moça de cabelos negros e longos não disse nada, apenas de seus olhos corriam silenciosas lágrimas... como que em premonitória despedida... Beijo-a ternamente, pego seu rosto entre minhas mãos e beijo o pequeno sinal marrom que ela tem na têmpora esquerda... O exército todo a cavalo, movimentando-se a meio galope até chegar onde seria o campo de batalha. Posições tomadas e dispostas, cabia a mim dar a ordem de ataque... Ninguém havia percebido o batedor avançado, perfeitamente camuflado com secas folhagens no terreno irregular... Do alto do cavalo, empunho uma brilhante espada, mas antes de dar a ordem de ataque, volto o rosto para onde havia ficado a moça de cabelos longos e negros, como que a dizer-lhe mentalmente o quanto a amava e que logo estaria de volta para seus braços. Nesse momento, a flecha de madeira, com ponta negra de ferro, penetrou-me por baixo do queixo saindo um pouco acima da nuca... me vi lentamente caindo do cavalo... Então de repente, a sala volta a existir! A senhora, meu amigo Peter, as outras pessoas ao redor da mesa... Estou muito abalado... Sinto um estranho gosto de sangue na boca... Ninguém me pergunta nada. Disse-lhes então que havia recebido a mensagem, apenas isso, nada mais. Novamente não me perguntaram nada. Despedimo-nos e lhes agradeço por tudo. Na casa de Peter, conto-lhe bastante emocionado e algo assustado o que se havia passado. Ele então me diz que de vidas passadas trazemos algumas habilidades, dons, virtudes e defeitos para a vida atual.

- Veja, na época que você descreveu os combates eram corpo a corpo e você agora apesar de não ser mais tão jovem, continua praticando artes marciais, apesar de ser civil, você tem afinidade e familiaridade com armas brancas e de fogo. Naquela época, provavelmente cada tribo falava um dialeto diferente e um comandante ou chefe forçosamente teria de falar mais de um idioma ou dialeto para poder se comunicar com seus comandados e você hoje fala alguns idiomas. Percebe? Tudo a ver...

Já é quase madrugada, ainda um tanto abalado pelo que havia visto, sentido e vivido volto para casa. Assim que abro a porta, minha querida “Gueixa” vem me abraçar cheia de amor e carinho... Acaricio os cabelos longos e negros... olho dentro de seus olhos oblíquos, profundos e místicos... Pego seu rosto entre minhas mãos e beijo ternamente o pequeno sinal marrom, em sua têmpora esquerda...

 

                        INSTRUÇÕES PARA TODA VIDA

 

Leve em consideração que grandes amores e conquistas envolvem grande risco.

* Quando você perde, não perca a lição.

* Siga os três R's:

* Respeito a si mesmo

* Respeito aos outros

* Responsabilidade por todas as suas ações

* Lembre-se de que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte.

* Aprenda as regras de maneira a saber quebrá-las da maneira mais apropriada.

* Não deixe uma disputa por questões menores ferir um grande amigo.

* Quando você perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.

* Passe algum tempo sozinho todos os dias.

* Abra seus braços para mudanças, sem abrir mão de seus valores.

* Lembre-se de que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta.

* Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.

* Uma atmosfera de amor em sua casa é o fundamento para sua vida.

* Em discordâncias com entes queridos, trate apenas da situação corrente. Não levante questões passadas.

* Compartilhe o seu conhecimento. Esta é uma maneira de alcançar a imortalidade.

* Seja gentil com a terra.

* Uma vez por ano, vá a algum lugar que você nunca esteve antes.

* Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor que cada um precisa do outro.

* Julgue o seu sucesso por aquilo que você teve que abrir mão para consegui-lo.

* Entregue-se total e irrestritamente ao amor .

Autor
Dalai Lama

 

Cruz trocada

"Em seguida, dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me" Lc 9.23

Há uma poesia chamada "Cruz Trocada", que fala de uma mulher que, cansada, achou que sua cruz era mais pesada do que a das pessoas à sua volta, e desejou trocá-la por outra.
Certa vez sonhou que tinha sido levada a um lugar onde havia muitas cruzes, de diversos formatos e tamanhos. Havia uma bem pequena e linda, cravejada de ouro e pedras preciosas.

Ah! esta eu posso carregar facilmente, disse ela. Então tomou-a mas seu corpo frágil estremeceu sob o peso daquela cruz. As pedras e o ouro eram lindos, mas o peso era demais para ela.
A seguir, viu uma bonita cruz, com flores entrelaçadas ao redor de seu tronco e braços. Esta seria a cruz ideal. Então pensou, tomou-a mas, sob as flores haviam espinhos que lhe feriram os ombros.


Finalmente, mais adiante, viu uma cruz simples, sem jóias, sem entalhes, tendo apenas algumas palavras de amor escritas em seus braços.
Pegou-a, e viu que era a melhor de todas, a mais fácil de se carregar, e enquanto a comtemplava, banhada pela luz, que vinha do céu, reconheceu que era a sua própria cruz.
Ela a havia encontrado de novo, e era a melhor de todas e a que lhe pareceu mais leve

Deus sabe melhor qual é a cruz que devenos levar. Nós não sabemos o peso da cruz dos outros. Invejamos uma pessoa que é rica, a sua cruz é de ouro e cravada com pedras preciosas, mas não sabemos o peso que ela tem. Ali está outra pessoa cuja vida parece muito agradável. Sua cruz está ornada de flores. Se pudéssemos experimentar todas as outras cruzes que julgamos mais leves do que a nossa, descobriríamos, por fim, que nenhuma delas é tão certa para nós como a nossa.

Deus está com você, lhe ajudando a carregar a sua cruz.
O Senhor te abençõe , neste dia, e sempre.
Gotas de bençãos..!

 

 

Encontrando o Amor

Olhava o modo como chegava.
Seu silêncio, sua desconexão.
Faltava-lhe alegria, faltava-lhe o ar.
Punha-se, quieta, a pensar no sofá da sala, trancada em suas ilusões.
E eu observava sua dificuldade em alcançar, em encontrar e sentir o Amor, que por ali passava, parecendo querer roubá-la para um doce, um chá;
parecendo querer seu sorriso, sua doçura, sua real natureza.
Via que passava horas tentando convencê-la a levantar-se, a sair, a caminhar.
E os dias se passavam daquela forma.
Ele, o Amor, não desistia da sua natureza em amar.
Ela acreditava não poder fazer parte do que ele lhe propunha.
Um dia chegou da mesma forma.
Em silêncio, sozinha e confusa.
Ele, pela primeira vez, sentou-se ao seu lado e nada fez.
Ela estranhou, mas achou melhor desprezar o fato.
E algumas horas se passaram sem que o Amor nada fizesse.
Ela, por vezes, fitava-o, querendo descobrir o que estava acontecendo.
De repente, ele se pôs em pé. Parecia ir embora...
Quando ela chorou, pedindo-lhe para ficar.
Naquele momento, os olhos dela iluminaram-se.
Ela havia aberto a sua porta, havia manifestado a sua vontade.
Encontrara o Amor.
E então, eles puderam dançar juntos, saborearam os doces e os chás.
Saíram para ver o sol, tomaram chuva e oraram a Deus.
Ela pôde sentir a bênção em ser filha do Pai.
Quando o Amor a olhou nos olhos e se despediu.
Ela não acreditou e perguntou:
Porque me abandonas exatamente no momento quando mais preciso de ti?
E ele respondeu:
Na verdade, Criatura de Deus, não te estou abandonando.
Apenas descobriste que és concebida do Amor.
E agora poderás prosseguir com seu próprio coração, pois nele encontra-se tudo de que necessitas.
Enquanto isso, vou à procura de outros que, como tu, precisam descobrir que são o que eu sou, para voltarem a ser o que sempre foram:
o Amor!

 

O Trem da Vida 

Um amigo falou-me de um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante,quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível....mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.  Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.  
          Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio, outros encontrarão essa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.  
 Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante a viagem, atravessemos, com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles....só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...porém, jamais, retornos.  
          Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.  
          O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades.... acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste,  mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram..... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.  
          Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido à pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem.
 

A Pessoa errada
Luiz Fernando Veríssimo

                Pensando bem, em tudo o que a gente vê e vivencia, ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor... A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira.
                A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível! Essa pessoa talvez te magoe, e depois te enche de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você.
                A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo. Porque a vida não é certa. Nada aqui é certo. O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo. E só assim é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo!" Quando na verdade tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada, pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

                                                    Autor desconhecido

AYRTON SENNA DO BRASIL

 

Explora-se muito a vida, o mito e a morte de Ayrton Senna. Mas pouco se fala da importância da sua trajetória e do seu exemplo para o povo brasileiro. E por ironia do destino ou sabedoria de Deus, ele morreu no dia do Trabalhador, que é a parcela mais sofrida das pessoas deste País. Ironia por que justamente ele, Ayrton Senna, representava o ideal de um povo forte, determinado, talentoso e vitorioso, contrariando o estigma de Macunaíma. Sabedoria de Deus, porque talvez Ele, Deus, quis nos dar uma “sacudida”, para que voltássemos nossos olhos para nós, e pudéssemos perceber que também podíamos ser grandes  como o Ayrton Senna foi.

No passado fomos rotulados de povo fraco, irresponsável, preguiçoso e sem raça definida; os “vira-latas” do mundo. Ayrton Senna provou, ao mundo, que um brasileiro pode ser vencedor, ser o melhor do mundo, chegar ao topo; e a nós brasileiros, que somos um povo de grande valor. Mostrou ao mundo, que apesar de não sermos uma raça definida, temos muita “raça”; que não somos preguiçosos, somos alegres, determinados na busca dos nossos sonhos e objetivos; que não somos irresponsáveis, temos boa índole; que não somos fracos, e temos muito talento. A Garra, a  determinação e o caráter de Ayrton Senna despertaram em nós brasileiros, o sentimento de que n]ao somos e nunca fomos um Macunaíma, e que podemos ser um Ayrton Senna.

                                                                Carlos Carvalho

 

Você sabe o que é Amor ?

            Então saiba um pouco o que NÃO é amor. Já se falou tanto em amor, amizade e paixão... Que tal falarmos do que não é amor?
            Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor. "É carência."
            Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado, mesmo sabendo que não é amado, e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor. "É falta de amor próprio."
            Se você acredita que "ruim com ela(e), pior sem ela(e)", e sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria - existe em função do outro - isso não é amor. "É dependência."
            Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono (a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor. "É egoísmo."
            Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente; prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. "É amizade."
            Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. "É desejo."
            Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação... Ou se programar para atrair alguém
por quem sinta carinho e desejo; que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado, aí sim, este é o verdadeiro e eterno amor!!!
            Meu pai disse-me um dia: "Filho... você terá três tipos de pessoas na sua vida:
            - Um amigo, aquela pessoa que você terá sempre em grande estima, que você sabe que poderá contar sempre; que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e a ajuda está sendo dada;
            - Uma amante, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar; que fará com que você flutue e nada importará quando vocês estiverem juntos;
            - Uma paixão, aquela pessoa que você amará, desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não, e talvez ela nem fique sabendo disso.
            - Mas, se você conseguir reunir essa três pessoas numa só, pode ter certeza, meu filho:
            - Você encontrou a felicidade."

                                                                  autor desconhecido

Procura-se um amigo


          Procura-se um amigo. Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir o que as palavras não dizem. 
          Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, das estrelas, do sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.
          Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. 
          Deve guardar segredo sem se sacrificar. 
          Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
          Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. 
          Tem de ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
          Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações da infância. 
          Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. 
          Deve gostar de ruas desertas, de poças d'água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. 
          Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já tenho um amigo. 
          Preciso de um amigo para parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo. 

                                                                 Charlie Chaplin

Crônica de Mário Prata

Lembrança é quando mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu, sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você um trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre falta muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. 

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra perigo o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

Não... Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor, não sei explicar. 

SOBRE O AMOR

Para meus amigos que estão... solteiros. O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela estará ali do seu lado. O amor poderá te fazer feliz, mas às vezes também poderá te ferir. E ele, o amor, só será verdadeiramente especial, quando você tiver por objetivo dá-lo somente a um alguém, que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher melhor


 Para meus amigos... não tão solteiros. Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes e nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo quando encontramos alguém, que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de... paquerar. Nunca diga "te amo" se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-los se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.

Para meus amigos... casados. O amor não te faz dizer "a culpa é sua", mas o amor te faz dizer "me perdoe". Não é "onde você está?", mas "estou aqui". Não é "como pôde fazer isso?", mas "eu te compreendo". Não é "eu gostaria que você fosse", mas "te amo, porque você é". Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons "perdoadores". A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos, mas sim de quantos desses anos vocês foram bons um para o outro. 


 Para meus amigos que têm um... coração partido. Um coração assim dura tanto tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar outros, aprenda a viver sua própria vida. A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que vê-la infeliz ao seu lado. 

Para meus amigos que são... inocentes. Ela se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade. Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado, mas pode descobrir que ela é uma ótima pessoa e pode vir se tornar uma grande amiga.

 Para meus amigos que tem... MEDO DE TERMINAR. Às vezes é duro terminar com aquele alguém, e isso dói em você. Mas dói muito mais quando aquela pessoa rompe contigo, não é verdade? O amor também dói muito quando ela não sabe o que você sente. Não engane tal pessoa, não seja grosso e rude esperando que ela adivinhe o que você quer. Não a force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitar. E é a melhor forma de respeitá-la é sendo verdadeiro e sincero. 
 A todos os meus amigos... Eu desejo que sejam pessoas com muito amor, sejam honestos, fortes, maduros, que mudem sempre para melhor, e que isso os ajude a crescer como Homens e Mulheres, cheios de virtudes e defeitos.

   (encontrei este texto na internet sem indicação do autor